Natural de Pirajuí, Olga trabalha como agente penitenciária na cidade. Foi no seu emprego que tudo começou. Aos 29 anos, ela descobriu que estava com um câncer na mama esquerda – fica o alerta mostrando que tal doença não tem idade para ocorrer.
Mesmo com o tratamento de 16 sessões de quimioterapia (quatro da vermelha, a mais agressiva) e a queda do cabelo por conta do tratamento, decidiu não ficar em casa. Resolveu retornar ao seu trabalho na Penitenciária Feminina de Pirajuí. “O pessoal do serviço resolveu que, toda sexta-feira, iriam trabalhar com o lenço”, conta Olga.
Uma das agentes penitenciárias ainda fez a analogia da troca do “S”. No lugar do “S” da segurança, entraria o da solidariedade. “Fiquei muito emocionado quando vi todas elas de lenço. E imaginei que todas estavam sentindo o mesmo que eu”, conta Olga. Em determinado momento, o ato se tornou um pacto entre as colegas de trabalho, do qual tem data para terminar: 30 de outubro. É quando ela faz sua última sessão de quimioterapia.
Solidariedade e conscientização
Como é costume ocorrer quando se faz uma boa ação, a solidariedade gerou mais solidariedade. Olga tomou a decisão de ajudar mais pessoas que enfrentam situação semelhante. “Estou arrecadando os lenços aqui na unidade (prisional) e vou pediu ao Centro de Saúde arrecadar também. Vamos pesquisar quais hospitais precisam de doações e vamos doar os lenços a esses hospitais em outubro, que é o mês de combate ao câncer de mama”, relata.
Da solidariedade, mais solidariedade. E também consciência. “A campanha é de conscientização. Graças ao autoexame e diagnóstico precoce, o meu tratamento está tendo uma ótima evolução”, completa.
Caiu na rede
Ao saber da iniciativa, a assessoria de comunicação da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) divulgou para as outras unidades. Logo, muitos dos presídios aderiram.
Ao ver as primeiras fotos postadas pelas agentes no Facebook, foi que a moda se espalhou. Mais uma vez, sem querer, ela lançava tendência. Enquanto muitos estilistas passam meses pensando no que apresentar no SP Fashion Week, a ação natural e solidária se transformava em uma das mais bonitas modas da estação: o lenço na cabeça.
Aos poucos, amigos de Pirajuí começaram a postar fotos usando lenços em apoio. E não parou no pequeno município. Amigos de outras cidades logo postaram suas próprias imagens. Cada um deles com o adereço na cabeça.
Homem, mulher, prefeita da cidade, criança, bebê e até mesmo cachorro e gato. Todo mundo aderiu à tendência deste outono.
“E como foi quando você viu todo mundo de lenço?”, questiona o repórter. A resposta, claro, seria única e óbvia. “Nem sei como te explicar isso. Com certeza, me deu uma força incrível para enfrentar a doença. As mensagens de apoio também me ajudam muito. Até a moça da padaria da esquina de casa, fica de lenço toda vez que vou buscar o pão”, brinca, emocionada.
No domingo, Olga completa 30 anos. Poderia ser um dos aniversários mais sem motivos a comemorar. Não será. “Nunca imaginei que era tão querida assim”, finaliza, mostrando que, enquanto cientistas não descobrem a cura do câncer, a solidariedade pode cumprir este papel.
Fonte: Vitor Oshiro - www.jcnet.com.br






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foi bonito ver tantas mulheres de lenço hj eu não usei pq não tenho nem um mais vou comprar
ResponderExcluirforça Olguinha